Sábado, 28 de Novembro de 2020

Abusada pelo pai durante 12 anos, jovem do Tocantins relata síndrome do pânico




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Uma jovem, de 29 anos, descobriu há pouco tempo que foi abusada pelo pai na infância. Ela relata que os abusos teriam começado no primeiro ano de vida. Quando a moradora de Palmas completou 12 anos, teve síndrome do pânico, por pouco não sofreu um infarto e perdeu boa parte das memórias.

Ela conta que há pouco tempo começou a fazer terapia e se lembrou dos abusos. “Ele pedia para tocá-lo, ele me tocava. Ele entrava no meu quarto, ele entrava no banheiro quando eu estava”.

Quando as lembranças vieram à tona, a jovem conversou com a irmã e primas, que também relataram abusos cometidos pelo mesmo homem. “Você chega a duvidar de você, você chega a achar que a culpa é sua. Se uma criança fala alguma coisa que possa ter relação com abuso, fique atento porque nunca é brincadeira. Uma criança não inventa esse tipo de coisa, ela não tem uma malícia para inventar esse tipo de coisa”.

O caso não é isolado. Só esse ano, a Secretaria de Segurança Pública registrou 183 casos de abusos sexuais contra crianças. Deste total, 173 são meninas. Só no Hospital Infantil de Palmas, que atende crianças que sofreram violência, foram 105 novos casos esse ano. A maioria das vítimas tem entre cinco e nove anos.

Quase nove em cada 10 casos não chegam a ser denunciados. “Grande parte ocorre na família, então a família tem uma resistência em buscar o atendimento porque não quer responsabilizar o agressor porque é alguém da família. Eu digo que a maioria das crianças não recebe nenhum tipo de atendimento e nenhum tipo de ajuda”, argumenta a coordenadora do Savi do Hospital Infantil, Rosivânia Tosta.

O Ministério Público do Tocantins trabalha para colocar em prática a lei que deve poupar a vítima de fazer o mesmo depoimento várias vezes. “Nós vamos capacitar as equipes técnicas para que as vítimas sejam ouvidas nos hospitais e essa oitiva, essa escuta especializada, seja encaminhada para os delegados para que, na delegacia sendo possível, a vítima não vai precisar ser ouvida novamente”, argumentou o promotor de Justiça, Sidney Fiori. Ele foi liberado logo após prestar depoimento. O crime é investigado pela Polícia Civil.


Autor: AMZ Noticias com G1


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