Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2020

Mulheres indígenas do Mato Grosso realizam assembleia para fortalecerem movimento




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A 4ª Assembleia da Organização de Mulheres Indígenas de Mato Grosso (TAKINÁ) reuniu cerca de 60 mulheres de 20 povos indígenas do estado, com representantes das etnias: Xavante, Kanela, Terena, Arara, Rikbaktsa, Paresi, Chiquitano, Myky, Bororo, Bakairi, Guató, Kawaiueté de Juara, Kawaiueté do Xingu, Munduruku, Manoki, Apiaká, Yawalapti, Umutina, Tapirapé, Karajá.

Entre os principais assuntos em pauta, recebeu destaque o tema "Valorização da Vida". As indígenas debateram sobre estratégias para a prevenção do suicídio nas aldeias conforme a perspectiva da promoção da saúde mental. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), a taxa de suicídios entre a população indígena é de 15,2 por 100 mil habitantes, quase o triplo da população não indígena no Brasil, que é de 5,7. Apenas no Mato Grosso do Sul, 782 indígenas tiraram suas vidas entre os anos 2000 e 2016.

Na assembleia realizada nos dias 7, 8 e 9 deste mês, houve também debates sobre aspectos de organização e articulação voltados para pautar as demandas das mulheres indígenas em instâncias de decisão em nível local, estadual e nacional. Elas também conversaram sobre a importância da troca de conhecimentos entre as pessoas mais experientes e as mais jovens.

O encontro das líderes indígenas recebeu o apoio da Fundação Nacional do Índio. Realizada no auditório da Coordenação Regional de Cuiabá, a assembleia recebeu o apoio logístico das coordenações regionais Noroeste de Mato Grosso, Xavante e Xingu, contando com o suporte da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ) e da Operação Amazônia Nativa (OPAN).

Uma por todas...  Joênia Wapichana, primeira mulher indígena eleita deputada federal no país, esteve presente ao evento. Ela ressaltou a importância do apoio da população indígena no processo de escolha dela como candidata pelo partido Rede Sustentabilidade. Joênia encorajou as mulheres presentes a se organizarem, apesar dos desafios, e afirmou que irá representá-las no Congresso Nacional.

"Quanto mais unidas, mais força vamos ter. Quando vocês estão discutindo políticas específicas para mulheres, demandando algumas propostas, vocês estão sendo políticas nessa hora". Joênia também afirmou que "a Funai não pode retroagir, ela tem que ser fortalecida. Uma de minhas bandeiras no Congresso será o fortalecimento deste órgão indigenista", conclui.

Joênia Wapichana foi a primeira mulher indígena a se formar em direito no Brasil pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), em 1997. Posteriormente, conquistou o título inédito de mestre pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. No Supremo Tribunal Federal (STF), a indígena também protagonizou um marco ao ser a primeira advogada indígena da história a realizar uma sustentação oral durante o julgamento que definiu a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol (RR).


Autor: Redação AMZ Noticias


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