Terca-Feira, 24 de Novembro de 2020

Mina de ouro subterrânea no coração do Pará vai gerar mais de 300 postos de trabalho




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Já estão em apreciação por analistas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do projeto de mineração de ouro Coringa, assinado pela multinacional Chapleau Exploração Mineral Ltda.

Nossa reportagem teve acesso exclusivo aos relatórios entregues no final do mês passado e analisou o Rima de 47 páginas elaborado pela consultoria Terra Meio Ambiente. A boa notícia é que, se o licenciamento passar, o projeto Coringa vai abrir 348 postos fixos de trabalho na operação e, antes disso, quase 500 empregos temporários durante a etapa de implantação.

Nesta segunda-feira (25), folheamos a ruma de páginas dos documentos que já estão com a Semas e constatou que a mineração vai ocorrer nos limites entre os municípios de Novo Progresso e Altamira, no coração da Amazônia paraense.

O projeto Coringa — geologicamente localizado no distrito aurífero do Tapajós — pretende lavrar ouro em minas subterrâneas, com previsão de instalação de planta de beneficiamento com capacidade para processamento de 167.900 toneladas de minério que contenham ouro e, ainda, prata.

A área industrial do empreendimento será composta pela planta de processamento e instalações auxiliares, como escritórios, oficina, subestação de energia, pátio de geradores, tanques de combustível, tanques de armazenamento e distribuição de reagentes.

Impactos ambientais - De acordo com análise da Terra Meio Ambiente, durante a instalação do projeto Coringa, estão previstas supressão de vegetação e terraplenagem, visando à implantação do sistema de drenagem e às construções de canteiro de obras e das estruturas fixas para a operação da lavra subterrânea. Essas medidas resultarão em redução significativa da vegetação.

Já na instalação e operação, haverá transporte de equipamentos, insumos e pessoal, bem como abertura de vias internas e utilização de explosivos. Com isso, serão aumentados os fluxos de maquinários e veículos, e haverá intensa geração de ruídos.

Esse conjunto de atividades e alterações da paisagem, segundo descreve a consultoria, causará afugentamento de fauna e colocará os animais silvestres em risco de morte por atropelamentos. No tocante a plantas e animais aquáticos, poderá haver perda ou morte devido à possível alteração da qualidade da água nos igarapés, ocasionada por erosão, captação ou descartes de efluentes.

Apesar disso, a Chapleau promete implantar programas de supressão vegetal e de recuperação de áreas degradadas ao final da operação da mina; de resgate e afugentamento de fauna para garantir que não haja perda ou morte dos animais locais; e de acompanhamento dos igarapés durante todo o período de obras e nos anos de funcionamento da mina.

Impactos econômicos - Embora a mais recorrente referência ao projeto Coringa seja o município de Novo Progresso de cuja sede urbana o empreendimento está mais próximo, a área de fato está nos domínios de Altamira. É a Prefeitura de Altamira, aliás, quem vai se beneficiar da arrecadação de taxas, impostos e royalties de mineração quando a mina estiver em operação. Ainda assim, a cidade de Novo Progresso será beneficiada com a constante movimentação de mercadorias e serviços para atender às instalações industriais do projeto.

A reportagem também levantou junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) que a Prefeitura de Altamira apresentou a 11ª maior arrecadação do Pará ao longo de 2018, com R$ 283 milhões líquidos recolhidos. Altamira é o segundo mais rico município do oeste do estado, depois de Santarém. Já a Prefeitura de Novo Progresso acumulou receitas de cerca de R$ 78 milhões.

Segundo consta do Rima, os mais de 300 postos de trabalho que serão criados durante a operação também vão contribuir para o aumento da renda das famílias nos municípios, estes os quais conformados por percentual de 65% da população que vivem em lares onde o rendimento médio não ultrapassa dois salários mínimos.

Além disso, o aumento natural na arrecadação de impostos vai possibilitar a melhoria dos serviços públicos nos municípios da área de influência. Novo Progresso e Altamira são castigados pela precariedade nas áreas de segurança e saneamento básico, por exemplo, os dois maiores gargalos do Pará como um todo.


Autor: AMZ Noticias com Z Dudu


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