Segunda-Feira, 30 de Novembro de 2020

Cidades mato grossenses registram mais de 3,1 mil acidentes de trabalho com crianças




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Mato Grosso registrou mais de 3,1 mil acidentes de trabalho envolvendo crianças e adolescentes, entre 2007 e 2018. Apesar do alto número, o estado apresenta o menor índice entre as unidades da Federação localizadas no centro-oeste. Na região, Goiás lidera o ranking com 10.596 ocorrências. Em seguida, vem o Distrito Federal (6.339) e o Mato Grosso do Sul (5.122).

Os dados são do Observatório da Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, uma plataforma lançada, dia (25), pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em Mato Grosso, nos últimos 11 anos, foram registrados um total de 3.199 acidentes. A média anual de acidente com vítimas menores de 18 anos no estado é de 290,8 casos.

No período analisado, 2015 foi o ano com recorde de notificações. Naquele ano, foram 356 ocorrências. No último ano, o número caiu para 250 notificações. As causas mais comuns estão relacionadas a veículos de transporte (23%), motocicleta (16%), máquinas e equipamentos (13), queda do mesmo nível (10%), agente biológico (8%) e ferramentas manuais (6%). Já as atividades econômicas envolvidas nos registros vão desde comércio varejista, com predominância de mercados e supermercados, cultivo de soja, produção de sementes, carga e descarga e abate de reses.

De acordo com informações do MPT, a ferramenta digital que cruza dados públicos sobre o trabalho em idade precoce. Entre as informações disponibilizadas estão a quantidade de crianças e adolescentes que trabalham em atividades agropecuárias, os números de acidentes de trabalho envolvendo essa parcela da população, os principais agentes causadores de acidentes e atividades econômicas que mais registram ocorrências com crianças e adolescentes até 17 anos.

A exemplo do que já ocorre em relação aos observatórios do trabalho escravo e o de saúde e segurança do trabalho, também desenvolvidos em cooperação entre o MPT e a OIT, esta nova ferramenta permitirá o mapeamento de ocorrência do trabalho infantil por setor, área geográfica, faixa etária, entre outras variáveis. Os dados do novo Observatório vêm de repositórios públicos e oficiais integrantes do Sistema Estatístico Nacional e abarcam informações de pesquisas e levantamentos censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e das áreas da Educação, Saúde, Trabalho e Previdência Social, Justiça, e Assistência e Desenvolvimento Social.

“O observatório tem um grande feito que é reunir todos os dados que já existem e já estão à disposição, porém esparsos e, por vezes, não estão postos de um modo tão facilmente assimilável", disse à Agência Brasil, Patrícia Sanfelici, que também comanda a Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente do MPT.

De acordo com Sanfelici, o levantamento de dados concretos sobre o tema enfrenta dificuldades em função da pobreza estrutural e racismo. Frequentemente, disse, a fiscalização também esbarra em obstáculos ao tentar apurar casos envolvendo o espaço doméstico. Isso, segundo a procuradora, também contribui para a subnotificação.

"É inegável que avançamos muito nos últimos anos, diria desde os anos 1980. Da década de 1990 até hoje, tivemos um avanço muito considerável na identificação e no combate ao trabalho infantil, tanto que houve uma redução no número de crianças e adolescentes em situação de trabalho. Porém, nós temos, sim, muitas arestas a aparar, temos, sim, que melhorar muito nossas compilações de dados. E o observatório é, justamente, um instrumento que trabalha nesse sentido", disse.

Em nível nacional, entre 2007 e 2018, foram notificados 300 mil acidentes de trabalho entre crianças e adolescentes até os 17 anos. No mesmo período, ocorreram 42 óbitos decorrentes de acidentes laborais na faixa etária dos 14 e 17 anos. Em 2017, cerca de 588 mil crianças com menos de 14 anos trabalhavam em atividades agropecuárias e 480 mil estudantes do 5º e 9º anos do ensino fundamental declararam trabalhar fora de casa. Além disso, entre 2017 e 2018, foram identificados 2.487 pontos como vulneráveis à exploração sexual comercial de crianças e adolescentes nas rodovias e estradas federais. 


Autor: AMZ Noticias com Diário de Cuiabá


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