Quinta-Feira, 26 de Novembro de 2020

Após 40 anos de cativeiro, elefanta chega ao Brasil para viver seus últimos dias em Mato Grosso




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Imagine você ser levado ainda bebê, de sua terra natal e de sua família, para uma terra distante, onde todos são estranhos e por mais 40 anos você vive aprisionado, servindo de objeto de diversão para os outros, e só na sua velhice, já debilitado, ser resgatado para viver seus últimos dias, em um local que se parece com sua terra, mas não é sua terra e com semelhantes seus, que não são a sua família.

Assim podemos descrever a história da elefanta Ramba, que desembarcou no início da manhã desta quarta-feira (16) no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).

O animal é o primeiro do tipo a ser recebido no terminal de cargas e exigiu reforço na segurança, além de uma megaoperação com guindaste, empilhadeira e uma equipe de 30 pessoas exclusivamente para atuar na recepção. A elefanta ganhou até faixa: "Seja bem-vinda ao Brasil".

Ramba é a última elefanta de um circo do Chile e o trâmite para que ela fosse transferida para o Brasil durou seis anos, dois deles só dedicados à logística da viagem. Denúncias comprovaram que ela sofria maus tratos. Este o primeiro caso de resgate internacional de elefante de cativeiro mediante denúncia de maus-tratos que o Brasil recebe.

A elefanta é da espécie asiática tem 53 anos e esta com alguns problemas de saúde. Ela viajou por três horas em um Boeing 744 vindo de Rancagua e chegou às 5h48 em Campinas. Pesa 3,6 toneladas e será levada via terrestre em uma carreta para o Santuário de Elefantes do Brasil (SEB), localizado na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso.

Em vivência ao ar livre, a expectativa de vida da espécie pode chegar a 70 anos. O contêiner desembarcou do avião por volta de 6h30. Ele foi içado da aeronave por um guindaste e levado para a área de carga viva de Viracopos. A caixa não foi aberta, nem mesmo para alimentar a elefanta. A megaoperação levou, ao todo, quatro horas e 50 minutos; às 10h35 ela pegou a estrada.

O presidente do santuário, Scott Blais, é americano e tem experiência em resgate de 50 elefantes. A operação da Ramba foi bem-sucedida e o estado geral dela está bom, mas, por conta dos maus-tratos, será feita uma avaliação minuciosa da saúde na chegada ao Mato Grosso. "Precisamos cada vez mais fazer esse resgate para que outros elefantes não morram em cativeiros", afirmou Blais, emocionado.

Viajou acordada e sem sedativos - Voluntária do Santuário de Elefantes do Brasil, Titina Leão acompanhou o voo. Segundo ela, a viagem foi tranquila, Ramba veio acordada e não precisou de sedativos. "Elefante é, na maior parte do tempo, um animal tranquilo, e ela estava acostumada a ser transportada, por conta do circo. Agora, finalmente, nós vamos conseguir libertá-la dessa punição, porque ficar presa é uma punição. Quando você comete um crime, você fica preso", disse.

No contêiner, uma placa exibe uma homenagem às pessoas que fizeram doação para o santuário e também para elefantes que morreram em cativeiro ou que o santuário não conseguiu resgatar por conta da burocracia.  As equipes do aeroporto e do santuário trataram dos trâmites de importação com o Ibama, Receita Federal e Ministério da Agricultura logo após o desembarque. Feita a liberação, ela foi colocada na carreta.

Durante esse processo, os lacres foram retirados para fazer a higienização da bandeja que fica embaixo do contêiner. "Animal como elefante é a primeira vez que a gente recebe. Trabalhamos com vários órgãos, Ibama, Receita, Anvisa, para que o animal ficasse o menor tempo possível no aeroporto", disse Ricardo Augusto, gerente de operações de cargas de Viracopos.

Viagem para Mato Grosso -  Em relação à viagem para o Mato Grosso, as equipes do santuário disseram que a translado deve durar dois dias e será acompanhado pela Polícia Rodoviária. Um carro vai levar comida e água. São 20 fardos de feno, além de frutas e verduras, principalmente maçã e melancia, que é o que ela mais come. Outro veículo levará a equipe do santuário.

Eles vão tentar parar o menos possível para não estressar o animal, mas já fizeram acordos com fazendas no caminho, caso ela precise descansar e se alimentar."No santuário, a gente vai dar a autonomia que ela merece. Lá ela vai voltar a ser elefante, vai fazer o que quiser. É um cativeiro também, mas de proporções livres", explicou o biólogo do santuário, Daniel Moura, que acompanhou a megaoperação.

Na Chapada dos Guimarães, o santuário tem 1,1 mil hectares e está preparando a estrutura para receber mais elefantes. A área destinada a esses animais tem 30 hectares e é cercada. A alimentação é controlada e há espaço para eles brincarem com água.


Autor: AMZ Noticias com G1


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