Domingo, 08 de Dezembro de 2019

Líderes políticos demonstram otimismo e preocupação com a construção da Transbananal




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As diversas lideranças políticas e empresariais que participaram da audiência pública do Senado em Gurupi na sexta-feira, 18, saíram otimistas com a possibilidade de a rodovia Transbananal se tornar realidade. A travessia ligará Formoso do Araguaia (TO), pela rodovia TO-0500, até São Félix do Araguaia (MT), pela BR-242, cortando a Ilha do Bananal.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse no evento que, para que as obras possam ser realizadas, está sendo feito um estudo de viabilidade econômica pela Empresa de Planejamento e Logística (EPL), o que deve demandar entre seis e sete meses.

De acordo com o ministro, a ideia central é que se estude a melhor forma de fazer a rodovia, que poderá ser por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) ou por investimento público. Entretanto, argumentou que, se após os estudos não houver interesse da iniciativa privada na construção, essa obra será pública. “A Transbananal já existe, o que vamos fazer agora é a sua pavimentação melhorando o tráfego, a logística e a vida da população”, destacou Freitas.

Todos os ouvidos destacaram a importância econômica da travessia para Tocantins e Mato Grosso, mas também demonstraram preocupação com o respeito aos povos indígenas e ao meio ambiente. Confira o que disseram sobre a Transbananal algumas das principais lideranças políticas e empresariais que participaram da audiência pública:

Tarcisio Freitas, ministro da Infraestrutura -  Acho que vai haver a participação dos governos de Mato Grosso e Tocantins. Nós vamos estar juntos. Isso é uma demonstração muito firme de vontade política. Vamos ter o governo federal e os dois Estados unidos nesse propósito. Um estudo desses acaba levando seis meses, sete meses, oito meses, dependendo da complexidade.

Tem outra pergunta que foi feita: tem o projeto do Mazzaro, vocês vão aproveitar? Claro, nós vamos usar todo o acervo, todo o estoque de informação que nós temos disponível para acelerar. Aquilo que já foi produzido não vai ser perdido. Alguma coisa vai precisar ser atualizada. A questão ambiental é complexa, atravessa uma região sensível do ponto de vista ambiental. Mas nós vamos contratar um EIA RIMA [Estudo e Relatório de Impacto Ambiental] para isso e vamos verificar de que forma nós podemos evitar os riscos, de que forma nós podemos mitigar os riscos.

A gente já tem uma longa experiência nisso porque não é a primeira implantação de rodovia que vamos fazer e tampouco a primeira implantação de rodovia em área sensível. A gente está acostumado a fazer implantação desse tipo. Sabemos que precisa manter o grade em determinado nível, em cada obra de arte um dispositivo para travessia de fauna, que vai ter que fazer plantio compensatório, recuperação de área de jazida.

 Agora, uma coisa importante é que, quando não se faz a pavimentação, na minha humilde opinião, do ponto de vista ambiental é pior. Ouvi a liderança falar em cascalhamento. Todo ano vai ter buscar uma jazida, vai explorar uma jazida nova, ela vai exaurir, vai esgotar, então, vai ter que pegar cascalho cada vez mais longe. O potencial de degradação é muito maior. Vamos pensar de uma forma bem pragmática: a prefeita de São Félix do Araguaia veio para cá hoje [sexta] de carro. Veio por onde? Provavelmente pela Transbananal. Então, ela [rodovia] já existe.

Mauro Mendes (DEM), governador de Mato Grosso -  Naquela grande região do nosso Estado, o noroeste de Mato Grosso, a partir de Santa Terezinha, que fica na divisa, nós temos hoje uma produção consolidada de 8 milhões de toneladas [de grãos]. Se melhorarmos a logística com esta rodovia, que vai baratear o preço do frete, chegando até Gurupi, pegando a [Ferrovia] Norte-Sul, nós teremos a capacidade de mais que triplicar, chegar aí a 20 milhões ou 25 milhões de toneladas. Isso é muito, é muito grande, e vai gerar muitas oportunidades para Mato Grosso, para o Tocantins. Podemos comprar aqui fertilizantes, calcário. Tem muitas riquezas que podem ser levadas para Mato Grosso. Facilita a agroindústria de se instalar aqui também porque pode processar aqui nesta cidade [Gurupi].

Mauro Carlesse (DEM), governador do Tocantins - Pela audiência já se viu a importância que tem a Transbananal. Para o Tocantins, é fundamental nós termos esta estrada porque vai ligar Mato Grosso, que tem uma produção imensa. A partir do momento em que eles conseguirem trazer essa safra, passando por nós, teremos uma possibilidade muito grande de montar as nossas indústrias para gerar outro tipo de economia.

Então, fico feliz porque foi muito produtiva a audiência, que teve participação do ministro, da bancada do Tocantins e Mato Grosso. Nossa oportunidade é agora. O governo Bolsonaro está disposto a fazer, o ministro está aqui porque foi um pedido do presidente Bolsonaro, que tem esse entendimento de que vamos, a partir de Mato Grosso e Tocantins, transformar o Brasil. Por isso fico feliz de participar dessa audiência pública, que foi um sucesso.

Kátia Abreu (PDT), senadora do Tocantins e autora do requerimento para a audiência  - O ministro ficou muito impressionado porque tinha gente demais. Colocamos lá mais de 2 mil pessoas. Não tinha ônibus nem se carregou gente, não. Mobilização da região sul em peso. E vieram o governador com os senadores de Mato Grosso, eu e o Gomes. Dos federais nossos haviam três, os estaduais em peso, a população e imprensa em peso. Disse para o ministro que era para ele ver que não é só vontade da Kátia e de governador.

É a vontade de todo mundo. Foi show! Os índios todos, Karajá e Javaé usaram a palavra, dois de cada lado, falaram muito bem, que querem a estrada, mas também o meio ambiente e querem saber o que os índios vão ter de ganho. Foram muito maduros. Ficou agora acertado o estudo de viabilidade econômica, que fica pronto em seis meses, para saber se vai dar para concessionária, o que seria mais rápido, ou se vai ter que ser público.

O ministro disse que se não viabilizar o privado vai fazer de forma pública. O governador de Mato Grosso combinou com o do Tocantins na hora do almoço que vai fazer o projeto da ponte do Rio Araguaia e o Carlesse o da  ponte do Rio Javaé, que são as duas maiores. Então, vai dar tudo certo.


Autor: AMZ Noticias com Cleber Toledo


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