Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2020

Bancos digitais diversificam o leque de produtos para atrair novos correntistas virtuais




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Os bancos digitais ganharam mercado com sua aposta em tarifa zero para conta corrente e cartão de crédito sem anuidade, mas alguns nichos de mercado, como o financiamento imobiliário e a oferta de determinados investimentos seguem como redutos das instituições tradicionais. Se, hoje, fintechs e bancos se veem mais como parceiros do que como rivais, as novas plataformas já têm planos para, no futuro, expandir serviços e ocupar parte do espaço dos bancões.

Priscila Salles, diretora de Marketing do banco digital Inter, diz que o objetivo da empresa é oferecer tudo que os correntistas têm nos bancos tradicionais para conquistar a exclusividade na vida dos clientes: “Nossa meta é disponibilizar o que os bancos físicos têm para que os clientes migrem para nossa plataforma, tendo à disposição tudo de que precisam. Já temos modalidades de investimento e começamos a oferecer financiamento imobiliário. Vamos seguir aumentando nossa cesta de serviços para nos consolidarmos ainda mais no mercado”.

O C6 Bank também pretende investir na ampliação da oferta de crédito e investimentos para disputar clientes com os bancos tradicionais: “Nosso objetivo é ser um banco completo. Trabalhamos para oferecer em uma única plataforma todos os serviços relacionados à vida financeira do cliente, seja para pagar uma conta como para contratar um financiamento ou investir seu dinheiro”, destaca Eduardo Prado, sócio do C6 Bank. “Neste mês, lançamos nossa plataforma aberta de fundos de investimento, e vamos seguir avançando”, disse.

Por enquanto, porém, bancos e fintechs são usados de forma complementar. A consultoria Bain & Company estima que até 50% dos clientes de contas digitais mantêm laços com bancos tradicionais. André Leme, sócio da consultoria, avalia que o crescimento das fintechs está obrigando instituições tradicionais a se reinventarem, tanto para não perderem clientes quanto para conquistarem o público que quer tudo na tela do smartphone:

 “Atualmente, entre 30% e 50% daqueles que têm conta digital também são correntistas de bancos tradicionais. Esses clientes querem testar os novos serviços, mas não abandonaram completamente as instituições físicas, seja pelo relacionamento consolidado ou pela falta de alguns serviços nas fintechs”.

A vantagem do mundo digital, em alguns casos, acaba sendo restrita ao ambiente virtual. Algumas fintechs cobram tarifas por saque e, caso o cliente precise de um extrato em papel como comprovante, por exemplo, não terá como optar por essa modalidade. Diante deste cenário, os novos correntistas acabam abrindo conta em mais de um banco digital para suprir os serviços que a outra instituição virtual não oferece.

Esse é o caso do estatístico Natan Freitas, de 24 anos. Ele abriu sua conta no Nubank, em 2017, por causa do cartão de crédito sem anuidade oferecido pela fintech. No ano seguinte, se tornou correntista do banco Inter, que disponibiliza serviços gratuitos, como saque. “Uma conta complementa os serviços que a outra não oferece. O que me incomoda nas contas digitais é ficar dependente dos caixas 24 horas para retirar dinheiro. De toda forma, acho prático resolver qualquer questão pelo aplicativo”, explica Freitas.

CLIENTES - De acordo com uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a plataforma Finnovista, o número de bancos digitais no Brasil subiu de seis, em 2017, para 15. Outros tipos de fintechs (meios de pagamento, financiamento coletivo, entre outros) já são mais de 380.

O número de correntistas, entretanto, não é exato, uma vez que algumas empresas não abrem os dados. Analistas do mercado financeiro estimam mais de 20 milhões de clientes cadastrados em bancos digitais. Nas instituições tradicionais, de acordo com levantamento do Banco Central de setembro deste ano, são mais de 133 milhões.

Mesmo dominando o setor no Brasil, os bancos tradicionais têm se movimentado para ganhar espaço no ambiente digital. O Bradesco lançou o banco digital Next, enquanto o Itaú desenvolveu o meio de pagamento Iti. Banco do Brasil e Santander criaram contas digitais sem tarifas, a Superdigital e a Conta Fácil, respectivamente. A Caixa lançou o Caixa Sim, cartão de crédito sem anuidade.

Ao lançar o Next, o Bradesco quis complementar as operações físicas e conquistar espaço entre jovens e aqueles que não querem ir às agências, destaca Jeferson Honorato, diretor do Next. “A internet veio como o complemento da estrutura física — diz Honorato. — A agência segue desempenhando seu papel, mas, como o mercado avança, outras demandas surgem, como a de produtos digitais. O Next surgiu para complementar a estratégia do Bradesco”.

PACOTE - No Santander, a estratégia é similar. Só que, neste caso, foi lançada uma conta 100% digital. O banco quer chegar aos clientes que precisam de serviços rápidos. “A Superdigital tem a proposta de oferecer serviços bancários simplificados. No produto, não há 20 opções de investimentos ou dez opções de crédito, mas garante os serviços necessários de forma rápida e sem complicações”, destaca Felipe Castiglia, diretor executivo da Superdigital. “O produto é o braço do Santander para a inclusão financeira”.

Os analistas projetam que os bancos digitais ainda podem aumentar a carteira de clientes no país, porém, não devem retirar correntistas das instituições físicas no médio prazo, ao menos. “As fintechs têm muito espaço para crescer no Brasil, mas isso não significa que elas vão tomar o lugar dos bancos tradicionais. Seja pela barreira da oferta de produtos, que nas instituições tradicionais é bem maior, como pela própria consolidação das marcas físicas”, avalia Chen Wei Chi, sócio de consultoria para transformação digital da EY. “Até porque as instituições têm buscado simplificar e digitalizar seus serviços, até lançando braços 100% digitais. A tendência é que os dois segmentos sigam crescendo”.

Se, por um lado, a leitura é que não haverá uma fuga de clientes do físico para o digital, os analistas acreditam que é possível que a concorrência contribua para a redução das taxas no setor bancário. “Com uma série de ofertas de produtos ilimitados e gratuitos, é esperado que as instituições tradicionais reavaliem seus portfólios e aumentem os serviços ou reduzam as tarifas”, avalia Leme, da Bain & Company.

Nas fintechs, tarifas zero são quase o padrão. Assim, para conquistar mais clientes, apostam em vantagens e serviços complementares para fidelizar os clientes. O C6 Bank, por exemplo, permite fazer transferência de valores por SMS ou WhatsApp. O cliente do Inter pode fazer depósito de cheque por imagem, ter acesso a plataforma de investimentos ou a consórcios automotivos e imobiliários.

No BS2, é possível recarregar o celular e também ter acesso a plataforma de investimentos. No Next, os clientes podem fazer saques no terminal de autoatendimento do Bradesco. E a Superdigital permite recarregar os bilhetes de transporte público em São Paulo. Já a Nuconta oferece depósitos por boleto e opções de empréstimo.

Embora atrativo, o mercado digital pode não ser a melhor alternativa para todos. Mesmo com uma série de serviços gratuitos e ilimitados, como transferências e depósitos por boleto, funções como saque podem ter custos. Assim, a conta digital pode acabar sendo mais cara do que a tradicional.

“Bancos digitais têm muitos produtos gratuitos. Mas alguns são pagos, o que, no fim, pode ser mais caro do que manter um pacote de serviços em um banco tradicional. É preciso avaliar as necessidade mensais e as ofertas dos bancos digitais antes de abrir uma conta neles ou até mesmo migrar do físico para o on-line”, pondera Wei Chi, da EY.


Autor: Redação AMZ Noticias


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