Terca-Feira, 24 de Novembro de 2020

Mais de 60 mil adolescentes de Mato Grosso ficaram grávidas nos últimos 06 anos




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Nos últimos seis anos, 61.424 meninas com idade entre os 10 e 19 anos ficaram grávidas, em Mato Grosso. O número representa 18% de um total de 340.082 nascidos vivos no mesmo período, mas vem reduzindo. Porém, ainda é preocupante.

Só em 2018, foram 9.553 casos de gravidez entre adolescentes na mesma faixa etária. Em 2019, 9.191 meninas deram à luz, uma queda de 21% se comparado a 2014, com 11.600 casos. Para mudar o cenário, o Ministério da Saúde (MS) e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lançaram, nesta semana, uma campanha com o slogan “Tudo tem seu tempo: Adolescência primeiro, gravidez depois”.

Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (Ses-MT) e mostram ainda que no geral, no ano passado, ocorreram 17.860 óbitos não fetais. Destes, 136 mortes de adolescentes, sendo 11 ocorrências, dos 10 e 14 anos e, 125, dos 15 aos 19 anos. Com a campanha, a proposta do MS é despertar a reflexão e promover o diálogo entre os jovens e as suas famílias em relação ao desenvolvimento afetivo, autonomia e responsabilidade. E, ainda, incentivá-los a buscar orientações nas unidades de saúde sobre as formas de se prevenir.

Assim, o MS entende que as adolescentes poderão tomar decisões, de forma mais consciente, sobre a vivência da sua sexualidade, de forma segura, responsável e com conhecimento sobre seu corpo. A ideia é disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da gravidez na adolescência.

No Estado, o Conselho Regional de Medicina (CRM-MT) deu início a uma mobilização que visa alertar a sociedade sobre os altos índices da taxa de gravidez entre adolescentes na América Latina. Durante este mês de fevereiro e março próximo serão realizados workshop e reuniões para debater o assunto. A mobilização tem o objetivo de engajar, sensibilizar e fortalecer a atuação dos pediatras e hebiatras, que são especialistas responsáveis pela assistência à saúde dos adolescentes.

Segundo o CRM-MT, as atividades são alusivas à “Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência”, instituída pela Lei nº 13.798, sancionada em 03 de janeiro de 2019. No Estado, estão previstos três eventos, oportunidade em que será apresentada uma série de informações relevantes, como dados estatísticos, alertas sobre os riscos da gravidez precoce e detalhes da Lei nº 13.798/2019.

De acordo com a assessoria de imprensa do CRM-MT, no dia 27 de fevereiro, será realizada uma reunião ampliada com representantes das faculdades de medicina de Mato Grosso, ligas acadêmicas, conselheiros tutelares e sociedade cientifica. Na pauta estarão os altos índices da gravidez na adolescência. O evento será no auditório do CRM-MT, a partir das 14 horas.

Já na manhã do dia 21 de março, no mesmo local, haverá o encontro de alunos adolescentes da rede municipal de educação de Cuiabá e Várzea Grande para uma roda de conversa. A ideia é montar propostas de prevenção sob o olhar deles. Serão realizadas intervenções científicas e dinâmicas em grupos. E, para o dia 31 de março, a proposta é realizar uma palestra científica para pediatras, acadêmicos, ginecologistas, professores da área de saúde e enfermeiros. O palestrante será o conselheiro federal do Conselho Federal de Medicina (CFM), Iran Galo.

Ainda, de acordo com o Conselho Regional, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), apontam que na América Latina e no Caribe, a taxa de gravidez entre adolescentes é a segunda mais alta do mundo, ficando atrás somente da África Subsaariana. Anualmente, ocorrem em média 66 nascimentos para cada mil meninas com idade entre 15 e 19 anos, enquanto o índice mundial é de 46 nascimentos.

Segundo os dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivo (Sinasc), do Ministério da Saúde, o percentual de gravidez na adolescência teve uma queda de 17% no Brasil em 2015. Em números absolutos, a redução foi de 661.290 nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos em 2004 para 546.529 em 2015. No entanto, apesar dos avanços, o número ainda é considerado grande, representando cerca de 20% do total de nascidos vivos no país.

A pobreza, a falta de acesso à informação e a métodos contraceptivos são os principais fatores que contribuem para a manutenção deste quadro. “As meninas mais pobres têm cinco vezes mais chances de engravidar do que as mais ricas. Se a família, a escola e o Estado falham no dever de garantir a proteção integral das crianças e dos adolescentes, esse problema tende a se repetir”, pontua a representante das Sociedades Brasileira e Mato-grossense de Pediatria (Somape/SBP), Alda Elizabeth B. Iglesias Azevedo.

De acordo com os especialistas, além do aspecto social envolvido, a gravidez na adolescência está associada a uma série de riscos à saúde da mulher e do bebê. Elevação da pressão arterial e crises convulsivas (eclampsia e pré-eclâmpsia) são alguns dos problemas de saúde que podem acometer a jovem grávida. Dentre os agravos mais comuns no bebê, estão a prematuridade e o baixo peso ao nascer.

“O índice de mortalidade entre os filhos de mães adolescentes é muito alto. Cerca de 20% da mortalidade infantil no Brasil decorre do óbito precoce dessa faixa”, destaca Evelyn Eisenstein, membro do Departamento Científico (DC) de Adolescência da SBP. Além disso, a especialista diz que a adolescente em gestação geralmente tem suas atividades escolares interrompidas, “característica que contribui ainda mais para a vulnerabilidade social da mãe e do bebê, que dependerão da tutela ostensiva de sua família para sua sobrevivência”.

Conforme informações divulgadas pela assessoria do MS, mesmo sem a presença dos pais ou responsáveis, os adolescentes a partir de 15 anos podem procurar a unidade de saúde mais próxima para se informar sobre os cuidados em saúde, e em conversa com os profissionais de saúde, podem diminuir dúvidas e ansiedade, tornando-se mais seguros e confiantes sobre seu desenvolvimento afetivo e direitos sexuais. Os profissionais ainda poderão orientar sobre as intervenções adequadas dentro do plano de vida individualizado de cada adolescente. Em caso de início da vida sexual, a orientação pode incluir o uso de métodos naturais e de anticoncepção, como os de barreira (camisinha), hormonais e de longa duração.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta de maneira gratuita nove métodos contraceptivos que ajudam no planejamento familiar. São eles: anticoncepcional injetável mensal; anticoncepcional injetável trimestral; minipílula; pílula combinada; diafragma; pílula anticoncepcional de emergência (ou pílula do dia seguinte); dispositivo intrauterino (DIU); preservativo feminino e preservativo masculino. Estes métodos contraceptivos estão acessíveis aos adolescentes nas unidades de atenção primária, incluindo testes rápidos para infecções, mesmo que estejam desacompanhados. No caso de alterações, os pais ou responsáveis são acionados.

 


Autor: AMZ Noticias com Diario de Cuiabá


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