Segunda-Feira, 25 de Maio de 2020

Centro de Pesquisa Canguçu é referência para observação de aves no Tocantins




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A observação de aves é um dos segmentos do ecoturismo que tem atraído mais praticantes no Brasil e no mundo, sendo considerada de baixo impacto ambiental e provedora de boa rentabilidade econômica. A região da Ilha do Bananal/Cantão, onde está localizado o Centro de Pesquisa Canguçu, unidade administrada pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), é um espaço com notável variedade de ambientes e uma rica avifauna.

Mas com um diferencial – estrutura para receber seus visitantes. O local situa-se na faixa de transição entre o Cerrado e a Amazônia, formando uma área ecotonal de grande diversidade biológica. Seu reconhecimento como área de elevada diversidade biológica está referendado por um complexo de unidades de conservação que integram o Corredor Ecológico Araguaia Bananal.

Renato Torres, professor da UFT e coordenador do Centro de Pesquisa Canguçu, conta que de acordo com levantamentos realizados na região, foram identificadas 415 espécies de aves, sendo quatro quase ameaçadas e oito ameaçadas de extinção, 27 endêmicas Amazônicas e nove endêmicas do Cerrado, além de onze espécies migratórias neárticas, tornando-se o destino preferencial para observação de aves no Tocantins e um dos principais do Brasil.

Turismo - André Grassi Corrêa é guia de observação de pássaros, os chamados birdwatching, e já levou centenas de pessoas para a região. Só ano passado, ele levou mais de 30 observadores de aves entre brasileiros e estrangeiros ao Centro de Pesquisa Canguçu.

“O local é de extrema importância para diversas modalidades no quesito ecológico, fauna e flora. Na minha área da ornitologia e da observação de aves não é diferente, uma vez que o local detém uma riqueza, uma composição faunistica singular. Por ser a maior região de transição do Cerrado e Amazônia no país, guarda uma riqueza, uma diversidade de espécies de aves muito grande e isso no olhar do observador de aves é crucial para a execução da atividade”, garante o guia.

Torres explica, que os avituristas viajam para ver espécies em particular, mas preferem as raras e ameaçadas, bem como áreas com elevado endemismo ou grande riqueza de espécies. “No entorno do Centro de Pesquisa Canguçu, as espécies endêmicas estão entre os principais alvos de observação pelo fato de terem uma distribuição restrita, neste grupo se destacam quatro espécies: o joão-do-araguaia Synallaxis simoni, o cardeal-do-araguaia Paroaria baeri, o chororó-de-goiás Cercomacra ferdinandi e uma espécie nova de Furnariideo do gênero Certhiaxis, ainda não descrita pela ciência. Em segundo lugar, estão as espécies ameaçadas, como o jacu-de-barriga-castanha Penelope ochrogaster, o pica-pau-do-parnaíba Celeus obrieni e o arapaçu-barrado-do-xingu Dendrocolaptes retentus ou quase-ameaçadas como o pato-corredor Neochen jubata, relativamente comuns na região e facilmente observadas”, afirma o professor.

 

O Centro de pesquisa -  Só em 2019 o Centro de Pesquisa Canguçu recebeu mais de 50 turistas observadores de aves oriundos de diversos estados brasileiros e diferentes países como Inglaterra, Estados Unidos, Suécia, Noruega e Argentina. O local conta com a parceria de três empresas especializadas neste seguimento, duas tocantinenses: Tocantins Birding e Ecobirdingbrazil, e uma nacional Brazilbirdingexperts, que trabalha apenas com turistas estrangeiros.

Torres acredita que “o incremento desta atividade ecoturística, tende a gerar cada vez mais ganhos para a ciência e a economia, melhorando a qualidade de vida das comunidades e promovendo a conservação da biodiversidade”. Tendo em vista isso, estão sendo programadas para este ano outras atividades neste seguimento, visando atender um público mais diversificado, com mini-cursos de observação e fotografia de aves e a implementação do turismo científico, onde o turista tem a oportunidade de acompanhar o dia-a-dia dos pesquisadores.


Autor: Redação AMZ Noticias


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