Domingo, 24 de Maio de 2020

Piscicultor do Médio Araguaia aponta os principais desafios da atividade em Mato Grosso




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A criação de peixes em cativeiro vem se tornando importante alternativa de fonte de renda para pequenos produtores de Mato Grosso. A proteína, frente a oscilações do mercado de outras carnes, vem, ainda, conquistando cada vez mais espaço no prato dos brasileiros. Em Gaúcha do Norte-MT, por exemplo, a atividade da piscicultura tem crescido não só na produção profissional, como na produção para consumo próprio. E tem produtor com mais de 30 anos na atividade.

No município, dezenas de propriedades tem recebido a escavação de tanques para peixes, numa ação de incentivo por parte da Prefeitura. O produtor está aderindo a cultura de criação. A atividade, porém, esbarra na falta de conhecimento técnico por parte dos já piscicultores. O executivo municipal, identificando estas dificuldades com informação técnica, aderiu, em 2020, ao projeto de piscicultura do CODEMA (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Médio Araguaia).

O Departamento de Agricultura do município, com apoio da Empaer local, tem realizado, desde então, um levantamento nas propriedades, realizando um cadastramento de produtores, (com dados da propriedade, empreendimento, recursos hídricos existentes na região), bem como da espécie de peixe cultivada. Os dados levantados serão repassados ao Consórcio.

“Estamos visitando as propriedades e fazendo o cadastramento, independente se é piscicultura formal ou informal. Com o levantamento em mãos, o consórcio vai disponibilizar assistência técnica por meio de um zootecnista para atender toda essa demanda”, apontou o veterinário Elton Jacob, que faz parte do projeto.

Em Gaúcha do Norte, o pioneiro na atividade é o produtor rural Celito Trevisan (65), que teve o interesse pela piscicultura despertado através de uma matéria veiculada no programa Globo Rural. “Lá por 1986 um produtor do Paraná enviou uma carta ao Globo Rural onde questionava qual era o primeiro passo para montar uma piscicultura. Em resposta, foi a disponibilidade da água e solo com teor de argila no mínimo de 23%”, relembrou ele, hoje produtor de referência.

Visualizando a possibilidade da atividade em sua propriedade, no final da década de 80, Celito, a esposa Palmira Trevisan (59), e toda a família, iniciaram os primeiros trabalhos em uma lagoa na propriedade, que leva o nome de sítio Várzea Grande, e foi crescendo com o tempo. Foram anos de muito trabalho para abertura de canal para água, confecção de tanques, represar o rio e tudo mais que fosse preciso. Aos poucos a criação foi crescendo e as principais fontes de renda que até então eram o gado e a seringueira, deram espaço ao peixe.

“A criação era muito aleatória. Não tínhamos quase nada de informação técnica, simplesmente comprava alevino e engordava. Às vezes morria metade desses alevinos, às vezes quase tudo e outras já conseguíamos salvar. Com o tempo fomos aprendendo na prática com os erros e acertos, buscando conhecimento em matérias no próprio Globo Rural, palestras, seminários e contato com pessoas que entendem do assunto”, apontou Celito.

Na propriedade, a criação de peixe foi profissionalizada a partir de 2007, recebendo construção de abatedouro e ganhando o nome de Trevisan Piscicultura. Localizada a 21 km da sede de Gaúcha do Norte, a propriedade possui cerca de 30 mil peixes em cativeiro de diversas espécies, desde alevinos até um grupo destinado à reprodução. Com aproximadamente 15 hectares destinados à atividade, entre aterros, canal de água e tanques de criação, são produzidas entre 25 e 26 toneladas de peixe por ano.

Segundo o piscicultor, para dar certo na piscicultura é necessário bastante cuidado e foco. Profundidade adequada dos tanques, calagem do solo, PH e oxigenação da água adequados, conhecimento quanto às doenças, alimentação do peixe em cada faixa etária, são apenas alguns dos cuidados diários dentro da atividade.

Questionado por nossa reportagem, sobre a visão na atividade, o produtor afirmou: “pretendo continuar na atividade e se conseguir reproduzir o pirarucu em uma escala razoável, engordar e comercializar a espécie processada. Mas além disso, comercializar o alevino que é o mais rentável”, finalizou o produtor, que já possui exemplares do peixe criados em cativeiro com mais de 120kg.


Autor: AMZ Noticias com AGRNoticias


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