Quinta-Feira, 28 de Maio de 2020

Garotas de programa adotam sexo virtual com videochamadas em tempos de pandemia




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Por conta do isolamento social, as garotas de programa precisaram se reinventar para sobreviver na pandemia de coronavírus. Como alternativa de renda, muitas passaram a realizar sexo virtual, feito por videochamadas.

Essa prática não é exatamente nova neste mercado, pois o espaço para transmissões de sexo online já tinha sido conquistado na internet.  O serviço virtual foi, inclusive, sugerido pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, em uma cartilha divulgada no dia 1º de abril.

Ivana Almeida, de 28 anos, conta que a procura por sexo virtual aumentou 50% entre seus clientes após o início do isolamento em Cuiabá, no final de março. “Eu faço programa há dois anos e agora é a primeira vez que eu estou fazendo sexo virtual assim. Tudo por conta do medo do coronavírus”, afirma.

Já Fernanda*, de 31 anos, diz que já praticava o atendimento sexual por vídeochamada, mas a procura também teve um aumento considerável após a chegada do vírus na Capital.  “Antes tinha, mas agora aumentou muito. Cerca de 30% dos clientes estão optando pela vídeochamada”, relata.

Ivana explica que o cliente faz a transferência bancária do pagamento serviço, que sai a R$ 50 por 20 minutos, e assim que o dinheiro cai na conta o sexo virtual pode começar. Ela diz que tem colegas de profissão que conseguem fazer toda a renda assim.

Apesar disso, a garota de programa afirma que em Cuiabá e Várzea Grande a modalidade ainda não ganhou muita popularidade como em grandes centros urbanos.

“Aqui em Cuiabá não tem muito sexo virtual como tem em São Paulo. Lá tem muito. Aqui a procura é baixa ainda. Mas tem aumentado por conta do vírus”, expõe Ivana.

Fernanda, que trabalha como garota de programa há quatro anos, afirma que a queda da procura por sexo físico ocorreu apenas nas primeiras semanas de quarentena, mas depois a situação voltou ao normal.

“No começo, durante umas duas semanas, deixaram de procurar, mas agora está tudo normal novamente. Pelo menos para mim”. Ela conta que estava em São Paulo quando começaram a surgir os casos de Covid-19 e viu suas colegas sofrendo com a falta de clientes.

“Outras meninas que já estavam lá reclamaram bastante que caiu bem o movimento. Inclusive, eu fui embora porque fiquei com medo, estavam fechando aeroporto, fechando tudo”.

De volta a Cuiabá, Fernanda avalia que a movimentação continua a mesma de antes da pandemia. Ela não perdeu clientes e continua atendendo com contato físico.

“Aqui eu estou trabalhando normal. Os clientes não têm medo, eles estão bem tranquilos. Está ótimo. Tem meninas que não sabem trabalhar”.  No entanto, Ivana vive uma situação diferente. Ela contou que houve uma queda de 99% na procura por sexo físico.

“O sexo físico procuram pouco, caiu muito. É uma queda de 99%. Tem semana que eu nem atendo porque não tem”, aponta a acompanhante. Segundo a garota, ela atendia em média 10 homens por semana, agora tem apenas um e há semanas que passa sem nenhum serviço.

Para Ivana, como todos os seus clientes são casados e de classe média alta, eles sentem medo de serem infectados e levarem a doença para dentro de casa. “Como são todos casados, eles estão com medo também da exposição, de levar para dentro de casa. Tem essa consciência também. Aí que quebrou”, afirma.

Apesar dos riscos, as acompanhantes relatam que não podem parar de atender fisicamente, pois os boletos estão vencendo. “Não tem como a gente ficar sem trabalhar também. Vai parar tudo? Assim como também correm risco as pessoas que trabalham em mercado, farmácia. Não tem como parar”, disse Fernanda.

“Medo a gente tem, mas a conta está aí para pagar. Eu evito ao máximo atender pessoas que não conheço. A gente não tem outra opção”, completa Ivana.  As duas atendem através de um site, mas Ivana ainda expõe a realidade das garotas de programa que estão diariamente nas ruas. De acordo com ela, muitas estão vivendo de suas economias para pagar as despesas no pensionato onde vivem.

“Tem muitas que estão usando todas as suas reservas financeiras de uma vida agora porque na casa de cafetina estão comendo, bebendo, usando internet e as cafetinas querem receber. Normalmente é R$ 450 por semana, é muito dinheiro e você tem que se virar”.

Para essas profissionais, não se expor na rua não é uma opção. Ivana ressalta que não dá nem para as garotas usarem máscaras, pois elas estão ali para mostrar o corpo.

“As meninas não têm como ficarem de máscara na rua e não podem deixar de trabalhar. Nessa quarentena, quem trabalha desse jeito? Qualquer autônomo está sofrendo com essa pandemia porque caiu muito”, afirma.

Mesmo com medo do coronavírus e sem a possibilidade de parar de trabalhar, as acompanhantes tentam adotar algumas medidas de proteção, mas têm a ciência de que é impossível não se arriscar.

Fernanda revela que evita beijar os clientes, mas fora isso não consegue fazer mais nada para não contrair o vírus. “Como o meu contato é físico, é impossível controlar. Estou evitando beijos, mas não tem como não ter contato. Vou continuar trabalhando normalmente”.

Enquanto isso Ivana tenta ser mais precavida neste caso. Ela conta que tem atendido apenas clientes de longa data e quem ela confia. Outra medida importante para ela é atender somente nos motéis com os quais tem parceria e garantem a total higienização do quarto.

“Eu tenho fidelidade em alguns motéis pelo site e eles me garantem a limpeza e higienização impecável. Como vou estar em um ambiente fechado, então tem que estar pelo menos limpo”.

Ela também cita o uso de máscara até chegar ao local e ir em carro próprio ao motel. “Eles vão no carro deles e eu vou no meu. Estou indo de máscara e chego no motel e tiro, então não dá nada, não resolve”, diz Ivana.

Fernanda está positiva em relação ao futuro próximo. Ela acredita que em breve a situação se normaliza e volta a ser como eram antes. “Acho que agora vai começar a voltar ao normal de novo. Não está tendo tantas mortes como lá fora e a galera estava com medo disso, por isso que assustou todo mundo”, avalia.  

 

 

*”Os nomes usados na matéria são fictícios pra preservar a identidade das entrevistas”


Autor: Bianca Fujimori com Midia News


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