Quinta-Feira, 28 de Maio de 2020

Especialista diz que clima tropical deve dificultar introdução de “vespas assassinas” no Brasil




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O Brasil tem a maior parte de seu território coberto por um clima tropical com um inverno de temperaturas amenas e seco e um verão quente e chuvoso. O fato deve ser o maior impedimento para que as vespas mandarinas, conhecidas como vespas assassinas, se instalem no País. O inseto, de origem asiática, se desenvolve melhor em lugares de clima temperado, com invernos severos.

Recentemente, apicultores dos Estados Unidos estão em alerta pela primeira aparição do inseto em território norte-americano. Para o vice-presidente do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Ibilce-Unesp), Fernando Barbosa Noll, o ocorrido não gera uma preocupação imediata para o Brasil.

“Não temos essa vespa e entendemos que o clima deve ser um fator limitante para esse inseto chegar ao Brasil. Claro que todo tipo de introdução é preocupante. Se isso ocorrer aqui será um problema. Mas a interpretação que eu tenho nesse momento é que dificilmente teremos um impacto imediato na América do Sul”, afirma Barbosa.

As vespas assassinas são sazonais, explica o especialista. “Quando está chegando o inverno do hemisfério norte, com neve, as rainhas hibernam. A partir da primavera, elas criam uma colônia que vai se desenvolver até o próximo inverno”, diz.

Uma proliferação das vespas mandarinas pode ser um problema para a apicultura. Elas são predadoras de insetos de uma maneira geral. Porém, preferem atacar colmeias de abelhas pela grande quantidade de vítimas no mesmo lugar. Normalmente, elas matam as abelhas na colmeia e levam para o seu ninho, onde alimentam as suas larvas.

Barbosa alerta que um ponto de preocupação também é a falta de um predador natural. “Quando ocorre a introdução de um animal exótico como esse, você não tem um animal que fará um controle daquela população. Essas vespas não têm grandes predadores na natureza, alguns pássaros, somente. Como são insetos muito grandes, não há muitas ameaças naturais”, pontua o vice-presidente do Ibilce-Unesp.

De acordo com o pesquisador, nos países onde as vespas estão instaladas, os apicultores tentam erradicar os ninhos próximos ou criar métodos paliativos, como proteção nas colmeias, para dificultar a entrada e amenizar as perdas. “A apicultura brasileira nunca teve que lidar com um problema como esse. Mas essas vespas podem sim diminuir muito a população de abelhas. Temos que ficar atentos a esse movimento, mas não vejo um problema para o Brasil imediato”, finaliza.


Autor: Redação AMZ Noticias


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