Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2020

Paralização de obras da infraestrutura causam um nó na logística de transporte em Mato Grosso




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Todas as obras estruturantes do Governo Federal, isoladamente ou em parceria com a iniciativa privada, nos setores de transporte rodoviário, ferroviário e hidroviário em Mato Grosso, estão paralisadas, na estaca zero, apesar das permanentes cobranças do governador Mauro Mendes (DEM), da bancada federal e entidades dos segmentos do agronegócio.

O travamento ficou ainda mais acentuado com a pandemia. Não há perspectiva de asfaltamento de rodovias, de apito do trem além de Rondonópolis nem de construção de porto. O grupo de obras à espera é formado pela BR-364, BR-158 e BR-174; pelas ferrovias Rumo, Ferrogrão e Fico; e por um porto em Cáceres.

BR-364 - O maior corredor nacional de escoamento de grãos se estende por 851 quilômetros entre o trevo com a MT-220, em Sinop, e a divisa com Mato Grosso do Sul. Em 2014, esse filé foi entregue pelo governo ao Grupo Odebrecht, por 30 anos para exploração de pedágio em troca de sua duplicação e conservação, mas com um mimo nos moldes de pai para filho: 400 quilômetros seriam duplicados pelo Dnit, porque tal trajeto já estaria licitado.

Detalhe: a duplicação bancada pelo Governo compreende os trechos da divisa com Mato Grosso do Sul a Cuiabá, e de Rosário Oeste a Posto Gil (de Diamantino). Acontece que, em crise, o grupo Odebrecht não leva adiante a duplicação entre Posto Gil e Sinop. Lentamente, o Dnit trabalha na construção do contorno de Juscimeira e São Pedro da Cipa, entre Rondonópolis e Cuiabá. Essa obra não conclui a duplicação de Cuiabá a Rondonópolis, pois ainda resta construir o contorno de Jaciara.

BR-158 - Com trecho de 140 quilômetros na terra indígena Marãiwatsédé, que os xavantes, a Funai e Ministério Público Federal não aceitam que seja pavimentado, resta a alternativa da criação do Contorno Leste, que no sentido Sul-Norte desviaria a 158 à direita cruzando Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada e Alta Boa Vista, até reencontrar seu leito no trevo de acesso a Pontinópolis, de São Félix do Araguaia, o que aumentaria o trajeto em 90 quilômetros.

FICO – É o projeto uma ferrovia alimentadora da Ferrovia Norte-Sul. Seu primeiro trecho, entre Água Boa e Mara Rosa (GO) com 383 quilômetros, seria construído pela Vale, ao custo de R$ 4 bilhões. A Vale foi compensada com a prorrogação por 30 anos das concessões das ferrovias do Carajás e Vitória-Minas. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, previa seu começo em janeiro deste ano, mas antes do primeiro dormente na linha o trem descarrilou.

Agora, o governo costura um programa de certificação de títulos verdes para investimentos ferroviários, com a inglesa Climate Bond Initiative especializada em selos verdes. A meta é captar recursos para a obra, opção estranha, pois o governo prorrogou duas concessões da Vale em troca do apito do trem em Água Boa.

BR-174 – Em Cáceres, um trecho com 68 quilômetros de uma estrada municipal ganhou federalização se tornando BR-174, para ser pavimentado e dar acesso a um porto que se pretende construir no rio Paraguai, para embarque de commodites exportadas a países asiáticos, pela Hidrovia Paraná-Paraguai, numa extensão de 3.442 quilômetros entre Cáceres e Nueva Palmira (Uruguai) cruzando a Bolívia, Paraguai e Argentina. Não há nada de concreto sobre a pavimentação e o porto.

RUMO – Em dezembro de 2012, o trem apitou em Rondonópolis criando um corredor ferroviário com 1.658 quilômetros para Mato Grosso escoar commodities agrícolas ao porto de Santos. A meta seria o avanço dos trilhos para Cuiabá. Incontáveis justificativas evidenciam que não se deve sonhe com a inclusão da capital à malha ferroviária. Em Rondonópolis, numa área de 385 hectares, opera o maior terminal ferroviário de cargas agrícolas da América Latina, operado pela Rumo, que explora a concessão da ferrovia.

FERROGRÃO – Mais que um projeto, é um sonho do Nortão. Ferrogrão é nome popular da EF-170 que a Empresa de Planejamento e Logística (EPL), do Ministério da Infraestrutura, alinhava para ligar Sinop a Miritituba (de Itaituba/PA), 933 quilômetros ao norte e à margem do rio Tapajós. A meta no ano passado era que o governo a concedesse por 65 anos.

Há tradings e investidores interessados na concessão. Porém, antes mesmo da tramitação da papelada Lucas do Rio Verde entrou em cena querendo que seu ponto mais ao sul seja em seu município. A obra deverá custar R$ 15 bilhões. Se iniciada no começo de 2021, a Ferrogrão deverá operar no final de 2025.


Autor: Redação AMZ Noticias


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