Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2020

Corpo de Casaldáliga será sepultado no cemitério dos peões e índios de São Félix do Araguaia




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O corpo do bispo de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, que morreu no sábado (8) aos 92 anos, chegou em Mato Grosso nesta segunda-feira (10). O sepultamento será no cemitério dos peões e índios, em São Félix do Araguaia.

O cemitério foi criado no local onde capangas jogavam os corpos de peões e índios que resistiam a grilagem das terras, em São Félix do Araguaia. O fato foi denunciado por Dom Pedro.

A Igreja Católica promoveu uma missa de corpo presente em Batatais (SP), onde ele estava internado e morreu. Em Mato Grosso, as primeiras cerimônias serão realizadas no Santuário dos Mártires da Caminhada, em Ribeirão Cascalheira criado pelo religioso no local onde o padre João Bosco foi assassinado em 1976.

O corpo do líder religioso chegou a Ribeirão Cascalheira por volta das 15h no horário de Brasília. Ele será velado na cidade até às 12h de terça-feira (11), quando segue para São Félix do Araguaia para a última missa e o sepultamento.

O religioso ficou conhecido por suas posições políticas e pelo trabalho pastoral ligado a causas como a defesa de direitos dos povos indígenas e o combate à violência dos conflitos agrários. Com problemas respiratórios agravados pelo Mal de Parkinson, Casaldáliga foi levado de Mato Grosso para o interior de São Paulo na noite de terça-feira (4) em uma unidade de terapia intensiva (UTI) montada dentro de um avião.

Um terceiro exame - complementar a outros dois realizados em Mato Grosso - descartou que o paciente tenha contraído Covid-19. Na tarde de sexta-feira (7), segundo o último boletim médico divulgado, o paciente estava com infecção no pulmão, em um quadro clínico grave e ele respirava com ajuda de aparelhos.

Nascido em 16 de fevereiro de 1928 em Balsareny, na província de Barcelona, mudou-se da Espanha para o Brasil aos 40 anos. Veio como missionário, para trabalhar em São Félix do Araguaia. Pertencente à congregação dos missionários claretianos, foi o primeiro bispo da Prelazia do município – a nomeação, em 1971, partiu do Papal Paulo VI. Dom Pedro Casaldáliga ocupou o ofício até 2005, quando renunciou.

Já nos primeiros anos no Brasil, Casaldáliga envolveu-se, ao lado de outros padres espanhóis, na defesa de povos indígenas, ameaçados pela violência dos conflitos agrários e pela expansão dos latifúndios na região. Casaldáliga foi um dos responsáveis pela fundação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ainda na década de 1970. Em 2000, o bispo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Seu trabalho junto aos índios xavantes, após anos de embate judicial contra latifundiários e produtores rurais, fez com que recebesse ameaças de morte em 2012. Além da atuação pastoral, Casaldáliga ficou conhecido pela produção literária, tanto de poesias quanto de manifestos, artigos, cartas circulares e obras com cunho político ou de temas ligados a espiritualidade, publicadas no Brasil e no exterior.

Em 2013, recusou-se a dar seu nome a um prêmio de jornalismo por se opor à nomeação da então secretária estadual de Cultura, Janete Riva. Em 2014, o bispo foi tema do filme biográfico "Descalço sobre a Terra Vermelha", feito por duas produtoras espanholas em parceria com a TV Brasil.


Autor: AMZ Noticias com G1


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