Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2020

Rodovia estratégica ao Brasil, a BR-158 segue com sua conclusão empurrada pela barriga




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O Contorno Leste ao invés do traçado natural da BR-158 entre Ribeirão Cascalheira e Porto Alegre do Norte, na ligação de Mato Grosso com o Pará. Esse seria o entendimento do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, manifestado em uma reunião no dia 04 de junho passado, com diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Antes o ministro defendia o trajeto original. Nesse vaivém o anseio do Vale do Araguaia pelo asfalto é empurrado com a barriga.

O trecho sem pavimentação tem 126 quilômetros e virou queda de braço. Ambientalistas, entidades indigenistas, Funai e Ministério Público Federal não aceitam sua pavimentação, muito embora parte desse trajeto seja um segmento rodoviário construído no final dos anos 1960, quando era chamado da Estrada de Suiá-Missú, que ligava Nova Xavantina à então Fazenda do Papa, na gleba Suiá-Missú. cuja sede se localizava próxima ao local onde mais tarde surgiria a cidade de Alto Boa Vista.

A extensão sem pavimentação na BR-158 cria um vácuo de logística entre as cidades de Ribeirão Cascalheira e Porto Alegre do Norte, nos dois extremos do trecho de Marãiwsédé, que até o final de 2012 era ocupada por milhares de pequenos, médios e grandes produtores que viviam na zona rural e na vila de Estrela do Araguaia, mais conhecida como Posto da Mata.

BR-242 - A pavimentação da BR-158 se arrasta por quase quatro décadas. Do lado paraense a rodovia está asfaltada porem com enormes problemas de pontes em péssimas condições e tambem com trechos exijindo recapeamento e reforma. O trecho remanescente para sua conclusão é o de Marãiwatsédé. Desde 2007 a Justiça Federal impede projetos e obras no segmento na terra indígena. O governo federal não resolve o problema, e o governador Mauro Mendes finge de morto sobre o caso, imitando seus antecessores Pedro Taques, Silval Barbosa e Blairo Maggi.

A alternativa apresentada para deslocar o leito da BR-158 seria a pavimentação do chamado Contorno Leste, que no sentido Sul-Norte desviaria a rodovia à direita atravessando as áreas urbanas de Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada e Alto Boa Vista (onde cruzaria a BR-242) até reencontrar o leito original no trevo de acesso ao distrito de Pontinópolis, de São Félix do Araguaia, o que aumentaria o trajeto em 90 quilômetros – ou até mais, dependendo da definição do traçado.

Se realmente o governo federal optar pelo Contorno Leste a obra para ser executada terá que passar por um ritual burocrático e ambiental que arrastará sua execução e conclusão por longos anos. A possibilidade do deslocamento da rodovia é real, mas o governo de Mauro Mendes não move uma palha sequer para facilitar tal opção.

Se houvesse interesse estadual, Mato Grosso poderia elaborar um projeto de pavimentação para o trecho e o oferecer ao Dnit, como forma de reduzir tempo. No vaivém de palavras sobre o Contorno Leste, o senador liberal Wellington Fagundes, o deputado federal José Medeiros (Podemos) e outros políticos tiram proveito eleitoral como se tivessem paternidade sobre a proposta do ministro Tarcísio de Freitas.

O trecho sem pavimentação na BR-158 dificulta o acesso de Canabrava do Norte, Porto Alegre do Norte, Confresa, Vila Rica, Santa Terezinha, São José do Xingu e Santa Cruz do Xingu  a Cuiabá e os aproxima cada vez mais do Pará e Tocantins. Essa dificuldade leva prefeituras a cometerem crimes entre aspas ao usarem serviços de esatdso vizinhos, como por exemplo, usar casas de apoio em Palmas (TO), para onde transportam pacientes em busca de atendimento médico.

BR-158 – A rodovia 158 é uma grande e importante longitudinal (Norte-Sul), com 3.958 quilômetros, que liga Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, a Altamira, no Pará, cruzando Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso. Seu trecho mato-grossense se estende de Pontal do Araguaia (ao lado de Barra do Garças) a Vila Rica, na divisa com o Pará, num trajeto de 802 quilômetros, dos quais 140 sem pavimentação na Terra Indígena Maráiwatsédé, no Araguaia.


Autor: Eduardo Gomes com A Boa Midia


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