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Norte Araguaia,19/04/2024

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Comboio de 30 barcaças impressiona no transporte de soja de gigante do agronegócio brasileiro

Fonte: Redação AMZ Notícias.
Comboio de 30 barcaças impressiona no transporte de soja de gigante do agronegócio brasileiro Foto: Arquivo AMZ
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O Professor Marcos Fava Neves, mais conhecido como Dr. Agro, é uma figura destacada no cenário acadêmico e empresarial, com uma trajetória acadêmica notável e com destaque no agronegócio. O professor compartilhou nesta sexta-feira (23) uma imagem impressionante.

Na imagem publicada pelo professor na USP é possível ver um comboio de pelo menos 30 barcaças carregadas com aproximadamente 60.000 toneladas de soja, aproximadamente 1 milhão de sacas. Segundo o magistrado o empurrador, responsável pela condução da embarcação, é Hermínio Mezomo com 4.300 HP de potência.

As barcaças partiram de Porto Velho, Rondônia, com o destino a Itacoatiara, no Amazonas. De acordo com o DNIT, a Hidrovia do Rio Madeira possui uma extensão navegável de 1.060 km, estendendo-se de Porto Velho até a foz em Itacoatiara (AM). Essa extensão abrange cerca de 180 km em Rondônia e 876 km no Amazonas. Ainda segundo Marcos as imagens foram cedidas pelo ex-ministro da Agricultura e empresário, Blairo Maggi.

A soja pertence à gigante do agronegócio brasileiro, Amaggi, uma das maiores exportadoras de grãos do país. O conglomerado agrícola Amaggi prevê investir bilhões de reais nos próximos anos como parte de um plano agressivo de crescimento, expandindo sua presença em diversos segmentos da cadeia de suprimento.

 Fundada em 1977, a AMAGGI, maior empresa brasileira de grãos e fibras, destaca-se por sua abrangência integral na cadeia do agronegócio, desde a produção agrícola até operações portuárias e geração de energia renovável. Com sede em Cuiabá (MT) e presença em todas as regiões do Brasil, além de unidades no exterior, a empresa atua em 74 unidades distribuídas em 42 municípios de nove estados brasileiros e em diversos países.

Sua produção anual de 1,2 milhão de toneladas de grãos e fibras, incluindo soja, milho e algodão, associada a uma base de seis mil produtores rurais e a comercialização de 18,6 milhões de toneladas em 2022, evidenciam não apenas sua liderança no setor, mas também sua capacidade de integração e diversificação, consolidando-a como uma potência no agronegócio brasileiro, com uma área plantada expressiva de 380.000 hectares.

Se fizermos um exercício para estimar o valor da carga é assustador. A barcaça está carregada com um total de 60 mil toneladas, ou 1 milhão de sacas de soja, imaginando que o grão foi comercializado na cotação atual, cerca de R$ 115,89/saca, nós temos uma carga avaliada em R$ 116 milhões, aproximadamente.

Se toda essa soja fosse transportada por caminhões, seriam necessários aproximadamente mais de 1.200 rodotrens, com capacidade de transportar quase 50 toneladas de soja, para carregar essa soja até os portos do Arco Norte ou até os portos da região Sudeste ou Sul. Importante ressaltar que a Amaggi tem uma frota de mais de 500 rodotrens, encarregados de fazer a logística dos grãos da empresa. 

O eixo Arco Norte do Brasil, que fica acima da linha do Paralelo 16, envolvendo oito complexos portuários – de Porto Velho (RO), Miritituba, Santarém e Barbacena (os três no Pará), Itacoatiara e Manaus (no Amazonas), Itaqui (Maranhão), além do Cotegibe (na Bahia, Nordeste) –, já exporta o mesmo volume de grãos em comparação ao tradicional Porto de Santos (SP).

Foram 38,9 milhões de toneladas em 2021, e 38,8 milhões pelo porto paulistano, no mesmo período. De acordo com um estudo da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre 2009 e 2021, o salto da produção agrícola no Arco Norte foi bem expressivo: de 56 milhões para 141,9 milhões de toneladas de grãos. Para desenvolver estratégias que visem às melhorias do escoamento das safras e das exportações pelos portos do Arco Norte, tem sido crucial incluir a situação de regiões vizinhas.

E isso começa por ações como o “Estradeiro BR-174/364”, cujas equipes vêm peregrinando pelas rotas da produção de grãos nos estados de Mato Grosso e Rondônia. No curto prazo, as metas visam ampliar o escoamento de milho da próxima safra, para o Porto de Porto Velho, cujas vias de acesso possuem alto fluxo de veículos pesados. Nesse período, a estimativa é de que haja uma circulação de 2 mil caminhões, diariamente.

O diretor-executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso e consultor de Logística da Aprosoja/MT, Edeon Vaz Ferreira, destacou, à Portos e Navios, que o Mato Grosso possui três grandes corredores, sendo o primeiro deles a rodovia BR-364, que serve de ligação entre o oeste daquele Estado e o cone sul de Rondônia, em Porto Velho.

“A partir daí, os grãos saem pela hidrovia do Rio Madeira rumo aos portos de Itacoatiara (AM), Santarém (PA) e Barcarena (PA), no município de Vila do Conde. As rodovias estão em bom estado, sendo que o único problema observado foi o acesso às estações de transbordo de carga (ETCs), que fica à margem direita do Madeira”, informou Ferreira, adiantando que o trecho faz parte da nova concessão da BR-364, que já está em processo de apuração em audiências públicas.

“O Porto de Porto Velho, por exemplo, hoje tem a capacidade de transbordo de carga, quando ela é tirada do caminhão e colocada na barcaça, de 15 milhões de toneladas, mas isso está em fase de ampliação, por meio de outros projetos [de transporte e logística]. Acreditamos que, em 2030, ele deve estar com 25 milhões de capacidade, mas agora gira em torno de 11 milhões”, pontuou Ferreira, que também preside a Câmara Temática de Infraestrutura e Logística do Agronegócio (CTLOG), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

No Arco Norte, existe o transporte de cabotagem, mas não para grãos, sendo usado para levar combustíveis e contêineres entre Manaus e todo o litoral do Brasil. Conforme Ferreira, esses contêineres embarcam produtos industrializados – como motocicletas, máquinas de lavar, geladeiras e televisores, entre outros – fabricados na Zona Franca de Manaus e distribuídos também pelo litoral do país. No sentido contrário, esse transporte traz arroz e outros gêneros alimentícios industrializados do Sul e Sudeste. 

O Brasil já transporta 110 milhões de toneladas de produtos por ano utilizando as hidrovias. Mas o potencial a ser explorado é muito maior, pois a participação da navegação interior é de apenas 5% na matriz de transporte brasileira. No Brasil, o aumento dos investimentos na eficiência no nosso sistema de transportes é urgente. Estamos ainda muito aquém da nossa capacidade.

Lamentavelmente, o modal rodoviário, que é o mais caro e o menos eficiente, é o mais utilizado. Faltam ferrovias, faltam hidrovias, falta integração. As hidrovias brasileiras, embora tenham um enorme potencial de navegação a baixo custo, sempre foram tratadas como a última opção de transporte de cargas, ao longo das últimas décadas. No entanto, o desenvolvimento e o escoamento da safra agrícola passam necessariamente pela melhoria , pela navegabilidade da estrutura de hidrovias.

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